
sexta-feira, 29 de julho de 2011
pra gringo ver?

domingo, 10 de julho de 2011
inspiração sem parcimônia

Muitas ideias para livros, argumentos para roteiros ou séries de TV, às vezes, nascem num dia em que o autor está lá, ouvindo uma musiquinha e de repente, pimba... a tal canção serviu como um misterioso passe de mágica para a inspiração vir com força total. Não que o que será escrito seja obrigatoriamente uma versão cinematográfica da música.
Escolher canções para a trilha sonora também é um ótimo exercício. Eu como autor, gosto de criar minha pastinha de ‘sons’ destinados à obra em construção.
Tenho grande predileção pelos artistas (cantores e compositores) brasileiros, e hoje, quando decidi escrever algo para o blog, logo me veio à mente João Bosco. Faz algumas semanas que ando escutando bastante esse consagrado nome de nossa arte, e me ocorreu, sim, que João é mesmo um grande escritor. Existe um algo de pós-moderno, talvez um neofuturismo que poucos conseguem identificar nas palavras organizadas e lapidadas por ele, para em seguida serem ritmadas com precioso esmero.
Me ocorreu também como todas as formas de literatura se confundem: a poesia, a música, os livros, as novelas, os roteiros.
Para existir o ‘algo a mais’, para ser destaque entre tantos concorrentes a uma vaga na Academia de Letras, é preciso experimentar, ir além do jogo de adjetivos e metáforas. João faz isso com total identidade e impressionismo.
Abaixo posto a letra de uma música criada por ele chamada Jade. Percebam os toques sutis das palavras, um jogo diferente, essa louca brincadeira no modo de compôr.
Jade virou hit aqui em casa, e com certeza fará parte de um próximo roteiro. Ando acordando com Jade já bailando em meu íntimo, ando viciado nela, nesse misterioso cubanacã, no quilate de mel, nessa excitante língua no céu de luz talismã, que de olhar verde abriu-se Sézamo em mim, pro fundo do oceano prá cá de ali.
É um prazer poder escutar Jade repetidamente e me encher de inspiração usando, sem parcimônia, da inspiração de João.
Aqui meu irmão ela é coisa rara de ver
E jóia do Xá retina de um mar
De olhar verde já derramante
Abriu-se Sézamo em mim
Ah! meu irmão aqualouca tara que tem ímã
Mergulha no ar me arrasta me atrai
Pro fundo do oceano que dá
Prá lá de babá prá cá de ali
Pedra que lasca seu brilho
E que queima no lábio um quilate de mel
E que deixa na boca melante
Um gosto de língua no céu
Luz talismã misterioso cubanacã
Delícia sensual de maçã
Saborosa manhã
Vou te eleger vou me despejar de prazer
Essa noite o que mais quero é ser
1001 pra você....
Jade...Jade...Jade...
sábado, 9 de julho de 2011
ERA CÓSMICA - já à venda!

quinta-feira, 2 de junho de 2011
sensações...

Essa é para os amigos que gostam de vez em quando passar por aqui. Lembrando que só escrevo quando tenho algo relevante pra falar sobre roteiros. Hoje tenho.
Deixei a pizza esfriando e vim correndo teclar. Talvez pelo dia ter sido conturbado, coisa que vai coisa que vem, trabalhos complicados, projetos cancelados, o frio, aquela saudade que insiste em ficar, uma saudade de um tempo que passou, de um cheiro que ficou, de pessoas, de lágrimas, de sorrisos... hoje estou sentindo até mesmo saudade antecipada, uma saudade daquilo que está por vir, mas que em pouco tempo ficará para trás, distante.
No cotidiano da cidade grande tudo é motivo, porém como venho do interior, sei que o cotidiano de uma cidade pequena também nos reserva surpresas, encontros, encantos, situações desfavoráveis, mas tudo superável. Até a saudade que disse acima, num instante, será superada para com certeza outras chegarem.
Tudo ao nosso redor nos desperta sensações. O campeonato que ficou pro ano quem vem; quem é o pai do filho da Maria de Fátima Accioli; o dinheiro acabando, o dinheiro que ia cair e caiu... mas pra fora de nossa conta.
Tudo nos causa um sentimento e uma reação. O fim do programa da Oprah; o filme do amigo que deixou a desejar; a bermuda que manchou na pia com alvejante; o dente doendo; essa pizza que estou comendo e que veio trocada. Então manda destrocar!!!
Outra sensação e que há tempos não me permitia sentir é o gostar. O gostar traz implícito em seu significado uma infinidade de outras sensações que a mim, por muito tempo afastado deste território, às vezes parecem extremas demais.
Daí alguém me pergunta, mas o que toda essa prosa tem a ver com roteiro? Tudo. Absolutamente tudo. Todas essas sensações em algum instante serão utilizadas, serão a alma de um personagem.
Como um escritor pode criar uma história, como ele pode dar um quê a mais, criar um alguém imaginário marcante, que permaneça na retina do público por anos a fio sem se permitir, sem experimentar tantas sensações que estão por aí ao alcance de qualquer pessoa?
Sei que podemos inventar, supor... contudo, o presenciar, o deixar correr pelas veias é um laboratório muito mais proveitoso.
Sendo assim, boas sensações para todos.
(a trilha desse texto: Mushaboom - Feist e Us - Regina Spector)
terça-feira, 3 de maio de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
um tema pra chamar de seu.

Passado o carnaval, passado o Oscar, enfim o ano começou pro Brasil e pra mim também. Fazia algum tempo que não postava nada inédito. Estava esperando a inspiração vir me trazer um assunto novo e que realmente encaixasse no tema deste nosso espaço: roteiros.
Escolhi falar sobre ‘temas’.
Já percebeu com tudo gira em torno de um tema? Até mesmo a escola de samba escolhe um tema para trabalhar durante o ano e apresentar em fevereiro. Música tem um tema, o ano tem um tema, 1976 foi o ano do dragão.
Claro que estou generalizando, contudo é sobre os mistérios que envolvem a escolha de um mote que vou falar.
Como nossa imaginação consegue de tanto vagar, repentinamente nos entregar um tema para ela mesma dissertar sobre?
Entre minhas séries favoritas, ultimamente, está “Weeds”. Pesquisando na rede dias atrás, conheci quem está por trás da criação desta obra televisiva pra lá de doidona. Foi aí que me veio a pergunta: como Jenji Kohan, uma feiudinha com cara de nerd, teve a brilhante sacada de contar a trajetória [e de forma bastante humorada (um humor negríssimo, diga-se de passagem)] de uma traficante de drogas gostosona e sua família de quase criminosos?
Pois é, quem vê cara não vê capacidade criativa, sou fã de Jenji, assim como passei a ser do Christopher Nolan, diretor e roteirista de um dos melhores filmes, se não o melhor, do ano de 2010.
Vou falar um pouco dos filmes candidatos ao Oscar. Não que eu seja um obcecado, mas me interesso em saber quem são os indicados, se possível até assisto todos. Não vou falar de vencedores ou perdedores, vou me conter nos temas.
É no mínimo surreal, pra não falar transcendental, o instante em que o criador descobre qual será o próximo filme, ou melhor, sobre o que ele irá tratar.
Claro que é preciso pelo menos um pouquinho de atenção para optar-se por um tema que chame a atenção dos espectadores, ou seja, que tenha apelo comercial.
“Rede Social” é isso, pensaram num tema que despertaria não só a curiosidade dos jovens, mas de todos aqueles ligados na internet e em suas incríveis páginas de relacionamento.
E o que seria ainda mais hipnotizante? Contar a história de como a maior delas surgiu.
“Cisne Negro”. Fico aqui matutando como o criador concebeu o primordial cerne de sua ideia?
O tema escolhido: Lago dos Cisnes, a batida saga daqueles dois patinhos bonitinhos travestidos em bailarinas. Entretanto o que se viu no cinema foi uma concepção moderna, evolutiva, sensacional. O tema parecia nunca antes ter sido usado.
Sei que já está um pouco tarde pra escrever sobre filmes do Oscar. OK! Mas o filme de que mais gosto é o que mais tem a ver com esse negócio de tema, e fala exatamente de como uma ideia pode conduzir nossas vidas.
Fico eu aqui tentando lembrar como minhas próprias ideias, como os temas que lanço mão em minhas histórias chegam até mim, me atropelando, me arrastando pelos pés; e quando a ‘parada’ é boa, só descanso depois de vê-la escrita e concluída.
“A Origem”, do já citado Nolan, é sem dúvidas meu preferido. Sem falar naquele elenco bacanudo com Marion Cotillard (a eterna Piaff), Joseph Gordon-Levitt (o eterno apaixonado por Summer), Leonardo DiCaprio (o eterno presuntinho congelado), ah, e Ellen Page (a eterna Juno).
Bom, piadas a parte, o tema de “A Origem” vem de uma ideia fabulosa: nada mais inexplorável do que os sonhos. A forma como o roteiro é conduzido, as viradas, o pessoal flutuando, os ‘chutes’ (tem que assistir pra saber o que é um chute). Meu, que ideia, que tema!
Daí, volto a me questionar: como nós escritores ou qualquer pessoa que goste de sentir o prazer alucinógeno de inventar histórias... Em que momento da criação descobrimos qual será o tema de nossa próxima viagem?
terça-feira, 15 de março de 2011
bipolar de volta!
Seguidores
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Júlio Meloni
- São Paulo, Brazil
- Roteirista de tv e cinema. Romancista. Idealizador. Produtor. Talvez um ilusionista...

